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Lapis qui Volvitur – O melhor álbum de rock em latim dos últimos 2.000 anos

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Este site tem a proposta inusitada e singular de divulgar prioritariamente as músicas do álbum Lapis qui Volvitur com letras em latim e com isso levar esta língua morta (que não está tão morta assim) ao universo do rock e, por outro lado, aproximar o latim dos amantes deste gênero musical.

Vários autores afirmam que o latim, por ser a base fundamental de várias línguas, exerce forte influência na nossa atualidade, tanto pelo aspecto etimológico, ortográfico e da conjugação verbal, como pelas influências advindas do caldo cultural de sua origem que remete a grandes autores clássicos como Santo Agostinho, César e Sêneca. Não só as línguas latinas, mas também russo, alemão e inglês são fortemente influenciados pelo latim.

É verdade que nos cantos gregorianos da idade média o latim teve sua fase hegemônica na história da música ocidental, já que a igreja proibia o uso de outra língua na execução de peças musicais. Ainda na idade média, a polifonia se desenvolveu entre os séculos IX e XV e abriu as portas para o mundo tonal do renascimento que, em contraste à conduta até então imposta pela igreja, permitia o uso de outras línguas, deixando o latim em segundo plano, até o seu abandono quase que total. Nesse processo de mudança de paradigmas vieram os clássicos, os modernos, os minimalistas, os dodecafônicos, os pós-modernos… e o latim ficou no limbo…

O processo do abandono do latim intensificou-se mais recentemente com a sua desobrigação como disciplina nos cursos básicos e também em muitas universidades. Apesar de todo este aparente movimento contra o latim, hoje ele vive uma verdadeira ressurreição em várias universidades. A igreja católica é uma das instituições que também têm contribuído para a sua difusão. Só para se ter uma ideia, na Alemanha o latim é um dos idiomas não pátrios mais estudados, perdendo apenas para o inglês. Mesmo com esta ressurreição, ainda falta muito para o latim ocupar o espaço que realmente merece no cenário cultural mundial.

Com o processo acima descrito, a contemporaneidade do rock´n roll não teve a oportunidade de experimentar o latim, ou seja, é possível ouvir rock em português, francês, inglês, russo, em qualquer língua. Mas não é possível ouvir um álbum de rock em latim! Poderíamos imaginar o que os antigos romanos cantariam sobre uma melodia de rock? Sim, esta é a proposta do projeto: “Lapis qui volvitur (pedra que rola) – o melhor álbum de rock em latim dos últimos 2.000 anos”.

Segundo VIARO (1999) “é preciso revitalizar o valor que o latim tem como ótimo meio para aguçar a percepção etimológica das raízes do português e de outras línguas, o exercício da análise sintática, o raciocínio lógico, a ampliação de vocabulário e a curiosidade para entender outros momentos históricos e o desenvolvimento das sociedades e do pensamento dos dias de hoje”.

HAAS (2003), ao discorrer sobre o uso de citações em latim nas músicas contemporâneas, comenta sobre o choque entre os sons modernos do rock e a língua antiga e a tensão que se estende à letra. A utilização do latim como ponto de partida ou adorno na arte e na música moderna brasileira já tem uma história que se inicia desde o manifesto antropofágico de Oswald de Andrade e se estende até os dias de hoje. As interferências em latim dão a possibilidade de jogar luz sobre aspectos importantes da história e do pensamento ocidental, iluminando as escolhas estéticas e filosóficas, deixando entrever as nuances do senso comum na manutenção e atualização de provérbios populares, mas, ao mesmo tempo, evidenciando os sentidos implícitos nessas atualizações, particularmente nos movimentos estéticos atuais, em que a palavra é o corpo opaco no qual os sentidos aparecem em suas determinações históricas. É dentro deste referencial que Lapis qui Volvitur se desenvolve como uma alternativa de abrir um novo espaço para o mundo do rock.

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